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Matofobia, você pode ter, sem saber!

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Segundo reportagem publicada no Jornal Zero Hora, matofobia é aversão ao estudo de Matemática, que pode ser estimulada a partir de comentários negativos de pessoas  com quem o estudante conviva, que rejeitam a disciplina.

Acompanhe a reportagem:


AVERSÃO CULTURAL CRIA AMBIENTE NEGATIVO

As atuais dificuldades no ensino da matemática começam antes mesmo de o aluno entrar na sala de aula. Estão em casa, no grupo de amigos, nos meios de comunicação. A noção de que a matemática é "difícil", "complicada", "chata" ou uma disciplina rígida em que não há espaço para a criatividade é muitas vezes passada de pais para filhos, desenvolvida nas conversas entre colegas e reproduzida de maneira massiva em revistas, jornais ou programas de TV. Como resultado, se criou o que alguns especialistas chamam de "matofobia" — a aversão ao conteúdo da disciplina.

Isso compromete o ambiente de aprendizagem antes mesmo de o professor pousar o giz no quadro-negro ou começar a falar sobre álgebra, análise combinatória ou equações. O medo dos números predispõe o aluno a ficar nervoso ao tentar resolver problemas, compromete a compreensão do conteúdo e torna a prática de exercícios uma rotina torturante na escola.

Um estudo realizado com professores de  62 colégios estaduais da Capital [Porto Alegre] concluído em 2007  identificou a presença da matofobia entre os alunos em mais de 80% dos casos. Como resultado, além de estarem preparados para ensinar o conteúdo devido, os professores precisam estar dispostos antes a vencer o preconceito dos estudantes e evitar traumas ainda maiores.

Veja o percentual de professores que reconheceu a existência de estudantes com receio da disciplina no colégio:

— 85,7% em escolas com baixo índice de reprovação;
— 100% em colégios com reprovação média;
— 83,3% em escolas com alto índice de reprovação.

Dimensão entre os professores:

— 71,4% dos professores de estabelecimentos com baixa reprovação já ouviram falar em "matofobia";
— 30,8% nas escolas com média reprovação;
— 33,3% nas escolas com alta reprovação.


COMEÇO RUIM COMPROMETE RESULTADOS POSTERIORES

O mau desempenho na disciplina de matemática, escancarado ao final do Ensino Médio, tem raízes no início da vida escolar. Isso ocorre devido a algumas peculiaridades dessa ciência: uma das principais é que se trata de uma área cumulativa de conhecimento. Isto é, o aluno precisa aprender bem um conteúdo prévio para compreender o posterior.

— A matemática se destaca das outras disciplinas porque é sequencial, ou seja, não se aprende a multiplicar se não aprendeu a somar. Isso significa que uma etapa que não foi bem aprendida compromete o aprendizado daí por diante. Além disso, a criança tem de entender a teoria envolvida desde os seis anos de idade. Ela sabe que uma plantinha cresce quando é molhada, mesmo sem entender as reações químicas envolvidas. Mas, com a matemática, tem de entender o sistema decimal para saber que, depois do 19, vem o 20 — afirma a doutora em Matemática Suely Druck, da Universidade Federal Fluminense, criadora da Olimpíada Brasileira de Matemática.

O problema é que a largada do aprendizado numérico no Brasil é deficiente — o que cria um efeito nocivo ao longo de toda a Educação Básica. Conforme o relatório De Olho nas Metas 2011, do movimento Todos Pela Educação, dados da Prova Brasil mostram que apenas 42,8% dos alunos do 4º ano do Fundamental sabem o esperado em matemática — dominar adição, subtração e resolver problemas com notas e moedas.

Saiba mais: GONZATTO, Marcello, Zero Hora, 27 out 2012. Disponível em http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/precisamosderespostas/19,1430,
3931330,Por-que-89-dos-estudantes-chegam-ao-final-do-Ensino-Medio-sem-aprender-o-esperado-em-matematica.html. Acesso em 15 dez. 2012.

Imagem: anfreak.com.br